Como de costume.
Ovos. Café. Tortilhas.
Tudo em seu devido lugar.
Está tudo normal.
Camila foi a última a descer do ônibus. Ela tinha o celular na mão, checando algo com a testa levemente franzida.
Ele se sentou.
Ele provou o café.
“Está frio”, disse ele sem olhar para mim.
Eu não respondi.
Diego evitou meu olhar.
Meus sogros falavam sobre tudo e qualquer coisa.
Como se nada tivesse acontecido.
Como se eu ainda fosse a mesma pessoa.
Então o celular de Camila vibrou.
Ele olhou para ele.
Mas, de novo,
a expressão dela mudou.
Não muito.
Mas chega.
“Que estranho…” murmurou ele.
“O que aconteceu?”, perguntou sua mãe.
Camila não respondeu imediatamente. Ela digitou rapidamente.
Então o outro telefone dele vibrou.
E mais uma.
Três.
Quatro.
Cinco.
“O que há de errado?”, insistiu Diego.
Camila se levantou.
—Nada… só… um problema em um dos hotéis.
Mas sua voz já não era firme.
A situação estava tensa.
Ele atendeu o telefone.
Chamado.
“O que está acontecendo?”, perguntou ele. “Por que está fechado?”
Pausa.
Seu semblante endureceu.
—Como assim, uma inspeção? Isso não estava agendado!
Meu sogro pediu demissão do jornal.
-Inspeção?
Camila não respondeu.