Sua respiração ficou presa na garganta.
“Eu acreditei nele.”
Noah parou na escada.
Ele ouviu tudo.
Eu deveria tê-lo mandado embora.
Eu não conseguia me mexer.
Rachel continuou falando, como se parar significasse nunca mais falar.
“Ele me mantinha em lugares diferentes. Cabanas, motéis, porões. Sempre mudando. Sempre dizendo que o papai estava ajudando, que o papai sabia onde eu estava, que ninguém viria.”
Virei-me lentamente para o meu pai.
Ele não negou rápido o suficiente.
Minha mãe soltou um grito de puro horror.
“Diga a ela que está mentindo, Daniel.”
Por um segundo, não entendi por que ela tinha usado aquele nome.
Então eu contei.
O nome do meu pai era Thomas.
Daniel era o detetive.
Minha mãe não estava falando com meu pai.
Ela estava olhando para Noah.
O quarto pareceu inclinar.
Noah estava parado três degraus acima de nós, agarrando o corrimão com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos.
“Por que a vovó me chamou assim?”
Ninguém respondeu.
Ele olhou para mim, e eu vi o momento em que ele entendeu que havia um segredo por trás de cada segredo.
“Elena”, disse meu pai com a voz rouca, “você deveria ter contado a ela.”
“Você contou o quê?”, perguntou Noah.
Rachel também olhou fixamente.
Não com medo.
Não perdida.
Grata.
Ela deu um pequeno passo em direção à escada.
“Quantos anos você tem?”
“Quatorze.”
Seus olhos se encheram de lágrimas.
“Quando é seu aniversário?”
Noah engoliu em seco.
“17 de outubro.”
Rachel fechou os olhos.
Meu pulso disparou.